Philip Schaff - "History of the Christian Church" (continuação)
"Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo, fazei penitência e crede no Evangelho." Marcos 1:15
O autor agora vai descrever 7 teorias, (aqui só estão 4 na próxima postagem tem as outras 3) já levantadas para explicar o pentecoste. Algumas teorias mais racionais outras místicas! Infelizmente a quarta, tem mais frases em Alemão (julgo que é essa a língua) do que em Inglês, no qual eu traduzo o respectivo texto, por isso, se alguém souber alemão e quiser traduzir esteja à vontade!
Nota: Para o autor a hetero-glossalia é a glossalia, no qual o falar em línguas, diz respeito também ao ensino em línguas estrangeiras, no qual o Pentecostes, segundo a descrição de Lucas em Actos, é aparentemente a única que se insere!
Boa Leitura!
(a) A interpretação racionalista corta o nó górdio ao negar o milagre, como um engano do narrador ou da tradição cristã primitiva. Mesmo Meyer renuncia a hetero-glossolalia, na medida em que difere da glossolalia de Coríntio, como uma tradição não-histórica que originou num erro, porque ele considera que a súbita comunicação inicial habilitada em falar em línguas estrangeiras como "logicamente impossível, e psicologicamente e moralmente inconcebível" (Com. em Actos 2:4, 4 ª ed.). A dificuldade é que Lucas, o companheiro de Paulo, deve ter se familiarizado com a glossolalia apostólica nas igrejas, e nas duas outras passagens onde ele menciona, evidentemente significam, o mesmo fenómeno descrito por Paulo.
(b) A hetero-glossolalia foi um erro dos ouvintes (a Hörwunder), que no estado de excitação extraordinária e profunda simpatia, imaginavam que ouviam falar as suas próprias línguas pelos discípulos, enquanto Lucas simplesmente narra a sua impressão, sem corrigi-la. Esta opinião foi mencionada (embora não aprovada) por Gregório de Nissa, e mantida pelo Pseudo-Cipriano, o venerável Bede, Erasmus, Schneckenburger e outros. Se a linguagem Pentecostal era o dialecto helenístico, poderia, com seu carácter compósito, seus Hebraísmos e Latinismos, mais facilmente produzir tal efeito quando ditas por pessoas, mexendo no fundo mais íntimo dos seus corações e eleva-los de si mesmos. S. Francisco Xavier é dito que se fez entender pelos hindus sem conhecer sua língua, e São Bernardo, Santo António de Pádua, São Vicente Ferrer foram capazes, pelo poder espiritual de sua eloquência, acender o entusiasmo e a oscilação das paixões das multidões que eram ignorantes de sua língua. Olshausen e Bäumlein chamou a estes fenómenos do magnetismo e sonambulismo, pelo qual as pessoas entram em harmonia misteriosa.
(c) A glossolalia como língua arcaica, com glosses poéticas, e uma mistura de palavras estrangeiras. Essa visão, defendida por Bleek (1829), e adoptada com algumas modificações por Baur (1838), já foi mencionado acima (p. 233), como incompatíveis com o uso helenístico, e o significado natural de Lucas.
(d) A explicação mística que se refere ao dom Pentecostal de Línguas, de alguma forma como contrapartida da confusão de línguas em Babel, quer como a restauração temporária da língua original do Paraíso, ou como uma antecipação profética da linguagem dos céus em que todas as línguas estão unidas. Esta teoria, que é mais profunda do que clara, torna a hetero-glossolalia em um homo-glossolalia, e coloca na linguagem o próprio milagre e a sua restauração temporária ou antecipada. Schelling chama o milagre pentecostal "Babel invertida" (das umgekehrte Babel), e diz: "Dem Ereigniss der Sprachenverwirrung lässt sich in der ganzen Folge der religiösen Geschichte nur Eines an die Seite stellen, die momentan wiederhergestellte Spracheinheit (oJmoglwssiva) am Pfingstfeste, mit dem das Christenthum, bestimmt das ganze Menschengeschlecht durch die Erkenntniss des Einen wahren Gottes wieder zur Einheit zu verknüpfen, seinen grossen Weg beginnt." (Einl. in d. Philos. der Mythologie, p. 109). Um ponto de vista semelhante foi defendido por Billroth (em sua Com. Em 1 Coríntios. 14, p. 177), que sugere que a língua primitiva combinou elementos das diferentes linguagens derivadas, de modo que cada ouvinte ouviu fragmentos de sua autoria. Lange (II. 38) vê aqui a linguagem normal da vida espiritual interior, que une os redimidos, e que atravessa todas as idades da Igreja como o fermento de línguas, que regenera, transforma e consagra as acções espirituais e sagradas, mas ele assume também, como Olshausen, uma relação harmoniosa entre palestrantes e ouvintes. Delitzsch (l.c.p. 1186) diz: Die apostolische Verkündigung erging damals in einer Sprache des Geistes, welche das Gegenbild der in Babel zerschellten Einen Menschheitssprache war und von allen ohne Unterschied der Sprachen gleichmässig verstanden wurde. Wie das weisse Licht alle Farben aus sich erschliesst, so fiel die geistgewirkte Apostelsprache wie in prismatischer Brechung verständlich in aller Ohren und ergreifend in aller Herzen. Es war ein Vorspiel der Einigung, in welcher die von Babel datirende Veruneinigung sich aufheben wird. Dem Sivan-Tag des steinernen Buchstabens trat ein Sivan-Tag des lebendigmachenden Geistes entgegen. Es war der Geburtstag der Kirche, der Geistesgemeinde im Unterschiede von der altestamentlichen Volksgemeinde; darum nennt Chrysostomus in einer Pfingsthomilie die Pentekoste die Metropole der Feste."O ponto de vista de Ewald (VI. 116 sqq.) é igualmente místico, mas original e expressivo com a sua convicção habitual. Ele chama a glossolalia uma "Auflallen und Aufjauchzen der Christlichen Begeisterung, ein stürmisches Hervorbrechen aller der verborgenen Gefühle und Gedanken in ihrer vollsten Unmittelbarkeit und Gewalt." Ele diz que no dia do Pentecostes, as expressões mais inusitadas e os sinónimos das línguas diferentes (como pathvr JO ajbbav, Gal 4:6;. Rom 8:15, e Mara;. Ajqav n 1 Coríntios 16:22.), eram reminiscências das palavras de Cristo como retumbantes do céu, misturadas no turbilhão de uma nova linguagem do Espírito, e exprimindo a alegria exuberante do primitivo cristianismo em balbuciante hinos de louvor nunca ouvidos antes ou desde então, excepto nas manifestações mais fracas do mesmo presente nas igrejas de Coríntio e noutros igrejas apostólicas.
sábado, 27 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Quem foram neste tempo os líderes da gnosis de enganoso nome
História Eclesiástica - Eusébio Cesaréia (continuação)
Boa Leitura!
1.As igrejas de todo o mundo já resplandeciam como astros brilhantíssimos, e a fé em nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo chegava a seu pleno vigor em todo o género humano, quando o demónio, avesso ao bem assim como inimigo da verdade e sempre hostil, demasiadamente, à salvação dos homens, voltou contra a Igreja todas as suas artimanhas. Se em outro tempo suas armas eram as perseguições contra ela, que vinham de fora,
2.agora, em troca, sendo-lhe vedados estes meios e lançando mão de homens malvados e feiticeiros como de funestos instrumentos e ministros da perdição das almas, levam a cabo sua campanha por outros caminhos. Imaginam todos os recursos, como o de que feiticeiros e embusteiros se deslizem sob o próprio nome de nossa doutrina, para assim conduzir ao abismo da perdição os fiéis que conseguem capturar, e aos que não conhecem a fé, com os meios que põe em prática, afastar do caminho que leva à doutrina salvadora.
3.Assim pois, de Menandro, de quem já dissemos que foi sucessor de Simão271, saiu como uma serpente bicéfala e com duas bocas uma força que estabeleceu como autores de duas diferentes heresias Saturnino, antioquenho de origem, e o alexandrino Basílides. Um na Síria e o outro no Egipto constituíram caminhos de ensino de heresias inimigas de Deus.
4.Irineu demonstra que as falsidades ensinadas por Saturnino eram em sua maior partes as mesmas de Menandro, e que Basílides, sob a aparência de coisas mais secretas, estendia suas fantasias até o infinito, forjando as fábulas monstruosas de sua ímpia heresia.
5. Naquele tempo saíram a lutar pela verdade grande número de varões eclesiásticos, e defenderam com bastante eloquência a doutrina apostólica e eclesiástica. Alguns, com seus escritos, inclusive proporcionaram aos que vieram depois os recursos profiláticos contra as referidas heresias.
6.Destes chegou até nós uma eficaz Refutação contra Basílides, de Agripa Castor, famosíssimo entre os escritores de então272.
7.Agripa põe a descoberto a habilidade da impostura daquele homem, pois ao desvelar seus mistérios diz que Basílides havia composto vinte e quatro livros sobre o Evangelho, e que chamava Barcabas e Barcof de profetas seus, e instituía para si alguns de sua própria invenção, aos quais dava nomes bárbaros para deixar pasmos aos que se assombram com tais coisas, e também ensinava que comer alimentos oferecidos aos ídolos e renegar despreocupadamente a fé com juramento em tempos de perseguição eram actos sem importância. A exemplo de Pitágoras, impunha cinco anos de silêncio aos que vinham a ele.
8.O mesmo escritor enumera ainda outras coisas parecidas a estas sobre Basílides e desmascara valentemente o erro da citada heresia.
9.Mas também Irineu escreve que Carpocrates, pai de outra heresia, a denominada dos gnósticos, foi coectâneo daqueles. Estes gnósticos consideravam certo transmitir as magias de Simão, não ocultamente como ele, mas abertamente, quase gabando-se como se fossem grandes coisas, dos filtros amorosos que elaboravam com grande cuidado, de certos espíritos familiares que enviam sonhos e de alguns outros métodos semelhantes. De acordo com isto, ensinavam que os que queriam chegar à perfeição de seus mistérios, melhor dizendo, de suas abominações, tinham que concretizar tudo o que houvesse de mais obsceno, porque, segundo eles, não poderiam escapar aos que chamam de príncipes do mundo senão satisfazendo-os a todos com uma conduta infame.
10.O que realmente ocorreu foi que o demónio, cujo prazer é o mal dos outros, usando de tais ministros, por um lado conduziu à escravidão, para sua perdição, aos que estes conseguiram miseravelmente enganar, e por outro proporcionou aos povos infiéis abundante material de descrédito para a doutrina de Deus, pois a fama daqueles resultava em calúnia para todo o povo cristão.
11.Foi assim que, na maior parte, aconteceu que se divulgasse entre os infiéis de então a ímpia e absurdíssima suspeita de que nós praticássemos inconfessáveis uniões com nossas mães e com nossas irmãs e que usássemos alimentos sacrílegos.
12.Mas o certo é que tudo isso não lhe trouxe proveito por muito tempo, já que a verdade manifestou-se por si mesma e brilhou com uma luz muito intensa com o passar do tempo.
13.De fato, rebatidas pela própria acção da verdade, logo se estenderam as invenções do adversário. As heresias eram inventadas umas depois das outras, as primeiras iam caindo sem interrupção e, cada qual a sua maneira e a seu tempo, se corrompiam e ficavam reduzidas a ideias variadas e multiformes. Em troca, o esplendor da única verdadeira Igreja católica, sempre idêntica a si mesma, crescia e aumentava irradiando a toda a raça dos gregos e dos bárbaros a majestade, a simplicidade, a liberdade, a sobriedade e a pureza da conduta e da filosofia divinas.
14.Em consequência, com o passar do tempo, extinguiram-se também as calúnias contra toda a doutrina, enquanto que somente nosso ensinamento se mantinha vencedor entre todos e com o reconhecimento de ser a que mais sobressai por sua venerabilidade, sua moderação e suas doutrinas sábias e divinas, de forma que ninguém dos de agora se atreve a proferir contra nossa fé uma injúria vergonhosa nem calúnia semelhantes às que anteriormente gostavam de utilizar os que se conjuravam contra nós.
15.E mesmo assim, nos tempos de que falamos, a verdade tomou numerosos defensores seus, que não somente lutaram contra as ímpias heresias com argumentos não escritos, mas também com demonstrações escritas.
271 Vide III:XXVI.
272 Apesar desta fama, perderam-se todos seus escritos, conhecidos apenas por fragmentos conservados por Clemente de Alexandria.
Boa Leitura!
1.As igrejas de todo o mundo já resplandeciam como astros brilhantíssimos, e a fé em nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo chegava a seu pleno vigor em todo o género humano, quando o demónio, avesso ao bem assim como inimigo da verdade e sempre hostil, demasiadamente, à salvação dos homens, voltou contra a Igreja todas as suas artimanhas. Se em outro tempo suas armas eram as perseguições contra ela, que vinham de fora,
2.agora, em troca, sendo-lhe vedados estes meios e lançando mão de homens malvados e feiticeiros como de funestos instrumentos e ministros da perdição das almas, levam a cabo sua campanha por outros caminhos. Imaginam todos os recursos, como o de que feiticeiros e embusteiros se deslizem sob o próprio nome de nossa doutrina, para assim conduzir ao abismo da perdição os fiéis que conseguem capturar, e aos que não conhecem a fé, com os meios que põe em prática, afastar do caminho que leva à doutrina salvadora.
3.Assim pois, de Menandro, de quem já dissemos que foi sucessor de Simão271, saiu como uma serpente bicéfala e com duas bocas uma força que estabeleceu como autores de duas diferentes heresias Saturnino, antioquenho de origem, e o alexandrino Basílides. Um na Síria e o outro no Egipto constituíram caminhos de ensino de heresias inimigas de Deus.
4.Irineu demonstra que as falsidades ensinadas por Saturnino eram em sua maior partes as mesmas de Menandro, e que Basílides, sob a aparência de coisas mais secretas, estendia suas fantasias até o infinito, forjando as fábulas monstruosas de sua ímpia heresia.
5. Naquele tempo saíram a lutar pela verdade grande número de varões eclesiásticos, e defenderam com bastante eloquência a doutrina apostólica e eclesiástica. Alguns, com seus escritos, inclusive proporcionaram aos que vieram depois os recursos profiláticos contra as referidas heresias.
6.Destes chegou até nós uma eficaz Refutação contra Basílides, de Agripa Castor, famosíssimo entre os escritores de então272.
7.Agripa põe a descoberto a habilidade da impostura daquele homem, pois ao desvelar seus mistérios diz que Basílides havia composto vinte e quatro livros sobre o Evangelho, e que chamava Barcabas e Barcof de profetas seus, e instituía para si alguns de sua própria invenção, aos quais dava nomes bárbaros para deixar pasmos aos que se assombram com tais coisas, e também ensinava que comer alimentos oferecidos aos ídolos e renegar despreocupadamente a fé com juramento em tempos de perseguição eram actos sem importância. A exemplo de Pitágoras, impunha cinco anos de silêncio aos que vinham a ele.
8.O mesmo escritor enumera ainda outras coisas parecidas a estas sobre Basílides e desmascara valentemente o erro da citada heresia.
9.Mas também Irineu escreve que Carpocrates, pai de outra heresia, a denominada dos gnósticos, foi coectâneo daqueles. Estes gnósticos consideravam certo transmitir as magias de Simão, não ocultamente como ele, mas abertamente, quase gabando-se como se fossem grandes coisas, dos filtros amorosos que elaboravam com grande cuidado, de certos espíritos familiares que enviam sonhos e de alguns outros métodos semelhantes. De acordo com isto, ensinavam que os que queriam chegar à perfeição de seus mistérios, melhor dizendo, de suas abominações, tinham que concretizar tudo o que houvesse de mais obsceno, porque, segundo eles, não poderiam escapar aos que chamam de príncipes do mundo senão satisfazendo-os a todos com uma conduta infame.
10.O que realmente ocorreu foi que o demónio, cujo prazer é o mal dos outros, usando de tais ministros, por um lado conduziu à escravidão, para sua perdição, aos que estes conseguiram miseravelmente enganar, e por outro proporcionou aos povos infiéis abundante material de descrédito para a doutrina de Deus, pois a fama daqueles resultava em calúnia para todo o povo cristão.
11.Foi assim que, na maior parte, aconteceu que se divulgasse entre os infiéis de então a ímpia e absurdíssima suspeita de que nós praticássemos inconfessáveis uniões com nossas mães e com nossas irmãs e que usássemos alimentos sacrílegos.
12.Mas o certo é que tudo isso não lhe trouxe proveito por muito tempo, já que a verdade manifestou-se por si mesma e brilhou com uma luz muito intensa com o passar do tempo.
13.De fato, rebatidas pela própria acção da verdade, logo se estenderam as invenções do adversário. As heresias eram inventadas umas depois das outras, as primeiras iam caindo sem interrupção e, cada qual a sua maneira e a seu tempo, se corrompiam e ficavam reduzidas a ideias variadas e multiformes. Em troca, o esplendor da única verdadeira Igreja católica, sempre idêntica a si mesma, crescia e aumentava irradiando a toda a raça dos gregos e dos bárbaros a majestade, a simplicidade, a liberdade, a sobriedade e a pureza da conduta e da filosofia divinas.
14.Em consequência, com o passar do tempo, extinguiram-se também as calúnias contra toda a doutrina, enquanto que somente nosso ensinamento se mantinha vencedor entre todos e com o reconhecimento de ser a que mais sobressai por sua venerabilidade, sua moderação e suas doutrinas sábias e divinas, de forma que ninguém dos de agora se atreve a proferir contra nossa fé uma injúria vergonhosa nem calúnia semelhantes às que anteriormente gostavam de utilizar os que se conjuravam contra nós.
15.E mesmo assim, nos tempos de que falamos, a verdade tomou numerosos defensores seus, que não somente lutaram contra as ímpias heresias com argumentos não escritos, mas também com demonstrações escritas.
271 Vide III:XXVI.
272 Apesar desta fama, perderam-se todos seus escritos, conhecidos apenas por fragmentos conservados por Clemente de Alexandria.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O último assédio de Jerusalém, nos tempos de Adriano
História Eclesiástica - Eusébio Cesaréia (continuação)
Boa Leitura!
1.A rebelião dos judeus tomava novamente maior força e maior extensão. Rufo, governador da Judia, com o reforço militar enviado pelo imperador e tirando partido sem piedade de sua louca temeridade, marchou contra eles. Aniquilou em massa milhares de homens, de crianças e de mulheres, e ao amparo da lei da guerra reduziu seus territórios à escravidão.
2.Mandava então sobre os judeus um chamado Barkokebas, que significa "estrela"270, um homem homicida e bandido, mas que, por seu nome, como se tratasse com escravos, dizia que era luz descida dos céus para eles, e com mágicas enganosas fazia ver aos maltratados que brilhava.
3.Mas a guerra chegou a seu ponto mais grave no décimo oitavo ano do reinado, em Betera, cidadela fortíssima, a pouca distância de Jerusalém. Como demorava longo tempo o assédio que vinha do exterior, os revolucionários viram-se empurrados à extrema ruína pela fome e pela sede, e o causador de sua insensatez pagou a pena merecida. Por decisão e por mandato de uma lei de Adriano proibiu-se a todo o povo judeu dali em diante pôr os pés sequer na região que rodeia Jerusalém, de forma que nem de longe podiam contemplar o solo pátrio. Isto foi contado por Ariston de Pela.
4.Assim foi que a cidade chegou a ficar vazia da raça judia, e foi total a ruína de seus antigos moradores. Pessoas de outra raça vieram a habita-la, e a cidade romana então constituída logo trocou de nome e se chamou Elia, em honra ao imperador Adriano. Mas também a igreja dali veio a ser composta de gentios, e o primeiro que se encarregou de seu ministério, depois dos bispos que procediam da circuncisão, foi Marcos.
270 Mais propriamente "Filho de estrela".
Boa Leitura!
1.A rebelião dos judeus tomava novamente maior força e maior extensão. Rufo, governador da Judia, com o reforço militar enviado pelo imperador e tirando partido sem piedade de sua louca temeridade, marchou contra eles. Aniquilou em massa milhares de homens, de crianças e de mulheres, e ao amparo da lei da guerra reduziu seus territórios à escravidão.
2.Mandava então sobre os judeus um chamado Barkokebas, que significa "estrela"270, um homem homicida e bandido, mas que, por seu nome, como se tratasse com escravos, dizia que era luz descida dos céus para eles, e com mágicas enganosas fazia ver aos maltratados que brilhava.
3.Mas a guerra chegou a seu ponto mais grave no décimo oitavo ano do reinado, em Betera, cidadela fortíssima, a pouca distância de Jerusalém. Como demorava longo tempo o assédio que vinha do exterior, os revolucionários viram-se empurrados à extrema ruína pela fome e pela sede, e o causador de sua insensatez pagou a pena merecida. Por decisão e por mandato de uma lei de Adriano proibiu-se a todo o povo judeu dali em diante pôr os pés sequer na região que rodeia Jerusalém, de forma que nem de longe podiam contemplar o solo pátrio. Isto foi contado por Ariston de Pela.
4.Assim foi que a cidade chegou a ficar vazia da raça judia, e foi total a ruína de seus antigos moradores. Pessoas de outra raça vieram a habita-la, e a cidade romana então constituída logo trocou de nome e se chamou Elia, em honra ao imperador Adriano. Mas também a igreja dali veio a ser composta de gentios, e o primeiro que se encarregou de seu ministério, depois dos bispos que procediam da circuncisão, foi Marcos.
270 Mais propriamente "Filho de estrela".
sábado, 20 de novembro de 2010
Glossolalia III
Philip Schaff - "History of the Christian Church" (continuação)
"Ó Deus, a quem eu louvo, não fiques em silêncio." Salmo 109 (108) :1
Resumindo a posição do autor Protestante, ele vê o fenómeno das línguas como um acto de louvor, e não um acto de missionação. Posição que fundamenta-se na glossolalia de Coríntio e Éfeso, cuja interpretação em actos dificilmente se poderia tirar, no entanto fundamenta-se na descrição de Paulo na 1º carta aos Coríntios como podem ver na última postagem. A partir desta descrição, ele vê o 1º Pentecostes como um fenómeno igual, primeiro de louvor e depois de ensino, a única dificuldade é que os Apóstolos sem intermediários, parecem falar a língua dos ouvintes segundo Actos 2:8. Nesta e na próxima postagem, vai tentar conciliar esta aparente contradição do 1º Pentecoste, e do Pentecoste de Coríntio.
Boa Leitura!
(3) A glossolalia Pentecostal não pode ter sido essencialmente diferente da de Corinto: foi também um acto de êxtase de adoração, de agradecimento e de louvor para os grandes feitos de Deus em Cristo, um diálogo da alma com Deus. Foi o mais puro e a maior expressão do entusiasmo jubiloso da Igreja recém-nascida de Cristo na posse do Espírito Santo. Tudo começou antes de os espectadores chegaram (comp. Actos 2:4 e 6), e foi seguido por um discurso missionário de Pedro, em linguagem simples e comum. Lucas menciona novamente o mesmo dom duas vezes (Lucas 10 e 19), evidentemente como um acto de devoção, e não de ensino.
No entanto, de acordo com o significado evidente da narrativa de Lucas, a glossolalia Pentecostal diferiu da dos Coríntios, não só pela sua intensidade, mas também por voltar para os ouvintes, em seguida, em seus próprios dialectos vernáculos, sem o meio de um intérprete humano. Daí o termo "diferentes" línguas, que Paulo não usa, nem Lucas, em qualquer outra passagem, daí o espanto dos estrangeiros ao ouvir cada um em sua própria linguagem peculiar, dos lábios daqueles galileus analfabetos. É esta hetero-glossolalia, como eu posso interpretar, o que provoca a principal dificuldade. Vou dar os vários pontos de vista que negam, ou substituem, ou intensificam, ou tentam, explicar este elemento estranho. (continua)
"Ó Deus, a quem eu louvo, não fiques em silêncio." Salmo 109 (108) :1
Resumindo a posição do autor Protestante, ele vê o fenómeno das línguas como um acto de louvor, e não um acto de missionação. Posição que fundamenta-se na glossolalia de Coríntio e Éfeso, cuja interpretação em actos dificilmente se poderia tirar, no entanto fundamenta-se na descrição de Paulo na 1º carta aos Coríntios como podem ver na última postagem. A partir desta descrição, ele vê o 1º Pentecostes como um fenómeno igual, primeiro de louvor e depois de ensino, a única dificuldade é que os Apóstolos sem intermediários, parecem falar a língua dos ouvintes segundo Actos 2:8. Nesta e na próxima postagem, vai tentar conciliar esta aparente contradição do 1º Pentecoste, e do Pentecoste de Coríntio.
Boa Leitura!
(3) A glossolalia Pentecostal não pode ter sido essencialmente diferente da de Corinto: foi também um acto de êxtase de adoração, de agradecimento e de louvor para os grandes feitos de Deus em Cristo, um diálogo da alma com Deus. Foi o mais puro e a maior expressão do entusiasmo jubiloso da Igreja recém-nascida de Cristo na posse do Espírito Santo. Tudo começou antes de os espectadores chegaram (comp. Actos 2:4 e 6), e foi seguido por um discurso missionário de Pedro, em linguagem simples e comum. Lucas menciona novamente o mesmo dom duas vezes (Lucas 10 e 19), evidentemente como um acto de devoção, e não de ensino.
No entanto, de acordo com o significado evidente da narrativa de Lucas, a glossolalia Pentecostal diferiu da dos Coríntios, não só pela sua intensidade, mas também por voltar para os ouvintes, em seguida, em seus próprios dialectos vernáculos, sem o meio de um intérprete humano. Daí o termo "diferentes" línguas, que Paulo não usa, nem Lucas, em qualquer outra passagem, daí o espanto dos estrangeiros ao ouvir cada um em sua própria linguagem peculiar, dos lábios daqueles galileus analfabetos. É esta hetero-glossolalia, como eu posso interpretar, o que provoca a principal dificuldade. Vou dar os vários pontos de vista que negam, ou substituem, ou intensificam, ou tentam, explicar este elemento estranho. (continua)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Os bispos de Jerusalém, desde o Salvador até os tempos de Adriano
História Eclesiástica - Eusébio Cesaréia (continuação)
Boa Leitura!
1. No que tange às datas dos bispos de Jerusalém, nada encontrei conservado por escrito, porque, na verdade, uma tradição268 afirma que tiveram vida muito breve.
2. Do que foi deixado por escrito, consegui tirar a limpo isto: que até o assédio dos judeus, nos tempos de Adriano, houve uma sucessão de bispos em número de quinze, e dizem que desde a origem todos eram hebreus que haviam aceitado sinceramente o conhecimento de Cristo, tanto que aqueles que estavam capacitados a julgá-los consideraram-nos até dignos do cargo de bispos. Naquele tempo, efectivamente, a igreja era toda composta por fiéis hebreus, desde os apóstolos até o assédio dos que então restavam, quando os judeus, novamente separados dos romanos, foram vítimas de grandes guerras.
3. Portanto, como quer que tenham terminado os bispos procedentes da circuncisão naquele momento, talvez seja necessário agora dar sua lista desde o primeiro. O primeiro pois, foi Tiago, o chamado irmão do Senhor; depois dele o segundo foi Simeão; o terceiro, Justo; o quarto, Zaqueu; o quinto, Tobias; o sexto, Benjamim; o sétimo, João; o oitavo, Matias; o nono, Felipe; o décimo, Sêneca; o décimo primeiro, Justo; o décimo segundo, Levi; o décimo terceiro, Efrem; José o décimo quarto e, depois de todos, o décimo quinto, Judas.
4. Estes foram os bispos da cidade de Jerusalém, desde os apóstolos até o tempo de que estamos falando, e todos oriundos da circuncisão.
5. Achava-se o reinado em seu décimo segundo ano269 quando Sixto, que havia cumprido seu décimo ano no episcopado de Roma, foi sucedido por Telesforo, sétimo a partir dos apóstolos. Passando ainda um ano e alguns meses, Eumenes recebe em sucessão a presidência da igreja de Alexandria; segundo a ordem, foi o sexto. Seu predecessor havia permanecido no cargo onze anos.
268 Provavelmente vinda das Memórias de Hegesipo.
269 O décimo segundo ano de Adriano foi 128-129.
Boa Leitura!
1. No que tange às datas dos bispos de Jerusalém, nada encontrei conservado por escrito, porque, na verdade, uma tradição268 afirma que tiveram vida muito breve.
2. Do que foi deixado por escrito, consegui tirar a limpo isto: que até o assédio dos judeus, nos tempos de Adriano, houve uma sucessão de bispos em número de quinze, e dizem que desde a origem todos eram hebreus que haviam aceitado sinceramente o conhecimento de Cristo, tanto que aqueles que estavam capacitados a julgá-los consideraram-nos até dignos do cargo de bispos. Naquele tempo, efectivamente, a igreja era toda composta por fiéis hebreus, desde os apóstolos até o assédio dos que então restavam, quando os judeus, novamente separados dos romanos, foram vítimas de grandes guerras.
3. Portanto, como quer que tenham terminado os bispos procedentes da circuncisão naquele momento, talvez seja necessário agora dar sua lista desde o primeiro. O primeiro pois, foi Tiago, o chamado irmão do Senhor; depois dele o segundo foi Simeão; o terceiro, Justo; o quarto, Zaqueu; o quinto, Tobias; o sexto, Benjamim; o sétimo, João; o oitavo, Matias; o nono, Felipe; o décimo, Sêneca; o décimo primeiro, Justo; o décimo segundo, Levi; o décimo terceiro, Efrem; José o décimo quarto e, depois de todos, o décimo quinto, Judas.
4. Estes foram os bispos da cidade de Jerusalém, desde os apóstolos até o tempo de que estamos falando, e todos oriundos da circuncisão.
5. Achava-se o reinado em seu décimo segundo ano269 quando Sixto, que havia cumprido seu décimo ano no episcopado de Roma, foi sucedido por Telesforo, sétimo a partir dos apóstolos. Passando ainda um ano e alguns meses, Eumenes recebe em sucessão a presidência da igreja de Alexandria; segundo a ordem, foi o sexto. Seu predecessor havia permanecido no cargo onze anos.
268 Provavelmente vinda das Memórias de Hegesipo.
269 O décimo segundo ano de Adriano foi 128-129.
Os bispos de Roma e de Alexandria nos tempos deste
História Eclesiástica - Eusébio Cesaréia (continuação)
Boa Leitura!
1. No terceiro ano do mesmo reinado, morre Alexandre, bispo de Roma, depois de cumpridos dez anos de governo. Sucedeu-o Sixto. E na igreja de Alexandria, tendo morrido Primo por este mesmo tempo, no duodécimo ano de sua presidência, foi sucedido por Justo.
Boa Leitura!
1. No terceiro ano do mesmo reinado, morre Alexandre, bispo de Roma, depois de cumpridos dez anos de governo. Sucedeu-o Sixto. E na igreja de Alexandria, tendo morrido Primo por este mesmo tempo, no duodécimo ano de sua presidência, foi sucedido por Justo.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Os que saíram em defesa da fé nos tempos de Adriano
História Eclesiástica - Eusébio Cesaréia (continuação)
Boa Leitura!
1.Depois de Trajano reger o império durante dezanove anos e seis meses, foi sucedido no comando por Elio Adriano. A este Codratos entregou um tratado que lhe havia redigido: uma Apologia composta em defesa de nossa religião, já que, efectivamente, alguns homens malvados tratavam de importunar os nossos. Ainda hoje conserva-se nas mãos de muitos de nossos irmãos; nós também possuímos a obra. Nela podemos ver claras provas da inteligência e rectidão apostólica deste homem.
2.Ele mesmo deixa entrever sua antiguidade nisto que nos conta, em suas próprias palavras: "Mas as obras de nosso Salvador estavam sempre presentes, porque eram verdadeiras: os que haviam sido curados, os ressuscitados dentre os mortos, os quais não foram vistos apenas no instante de serem curados e ressuscitados, mas também estiveram sempre presentes, e não apenas enquanto vivia o Salvador, mas também depois de Ele morrer, todos viveram tempo suficiente, de forma que alguns deles chegaram mesmo aos nossos tempos."
3. Assim era Codratos. Mas também Aristides, homem de fé entregue a nossa religião deixou, assim como Codratos, uma Apologia em favor da fé, que havia dirigido a Adriano. Também a obra deste escritor conservou-se até nossos dias em muitos lugares.
Boa Leitura!
1.Depois de Trajano reger o império durante dezanove anos e seis meses, foi sucedido no comando por Elio Adriano. A este Codratos entregou um tratado que lhe havia redigido: uma Apologia composta em defesa de nossa religião, já que, efectivamente, alguns homens malvados tratavam de importunar os nossos. Ainda hoje conserva-se nas mãos de muitos de nossos irmãos; nós também possuímos a obra. Nela podemos ver claras provas da inteligência e rectidão apostólica deste homem.
2.Ele mesmo deixa entrever sua antiguidade nisto que nos conta, em suas próprias palavras: "Mas as obras de nosso Salvador estavam sempre presentes, porque eram verdadeiras: os que haviam sido curados, os ressuscitados dentre os mortos, os quais não foram vistos apenas no instante de serem curados e ressuscitados, mas também estiveram sempre presentes, e não apenas enquanto vivia o Salvador, mas também depois de Ele morrer, todos viveram tempo suficiente, de forma que alguns deles chegaram mesmo aos nossos tempos."
3. Assim era Codratos. Mas também Aristides, homem de fé entregue a nossa religião deixou, assim como Codratos, uma Apologia em favor da fé, que havia dirigido a Adriano. Também a obra deste escritor conservou-se até nossos dias em muitos lugares.
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